Blog do Pe. Carlos Alberto


Impressionante como Deus chama de diversos modos! Veja o video!



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 09h18
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Arquidiocese do Espirito Santo lança campanha para ajudar vítimas das chuvasCompartilhar

O Secretariado de Pastoral da Arquidiocese de Vitória iniciou uma campanha de solidariedade. A campanha visa a arrecadação de alimentos não perecíveis, roupas de cama e de banho e vestimenta em bom estado de conservação.

por Marcos Beltramin (Portal RCR ), dia 23/12/2013 às 09:25
Arquidiocese do Espirito Santo lança campanha para ajudar vítimas das chuvas

Durante coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira, 20, o arcebispo D. Luiz Mancilha Vilela, manifestou os seus votos natalinos e pediu que as pessoas e comunidades não percam a esperança às vésperas da celebração do Natal.  

"Neste momento vivemos um estado de calamidade no Espírito Santo, são mais de 18 mil pessoas passando por necessidade, e o Natal, pelo fato da proximidade de Deus, é a certeza de um futuro feliz. É tempo de esperança. Então eu gostaria de desejar a todos um Feliz Natal com essa tonalidade: que não percamos a esperança. Estamos sofrendo sim, muitas vezes por causa do desrespeito a natureza. Muitas vezes nós não respeitamos o direito dos córregos, dos rios, então acontecem todas essas coisas".

"O sofrimento está aí, muitas famílias estão sofrendo, nas ruas das grandes cidades e também das cidades do interior. A gente quer desejar um Santo Natal, abençoado Natal, cheio de esperança, em lágrimas, mas o futuro é bom, o futuro é garantia de felicidade para todos. Desejo que Deus esteja bem próximo ao seu coração, no coração de cada família, porque é daí que nós vamos ter um mundo melhor. É a partir de uma transformação do nosso coração, do coração de nossa família que nós vamos fazer com que o mundo seja melhor, o mundo não vai ser melhor sem essa prioridade, a pessoa, a família e a comunidade. Espero que em cada paróquia todos façam o maior esforço para colaborar para que estas pessoas sejam assistidas com muita caridade. Tenho certeza que todos os lugares e municípios a Igreja está empenhada, estão se organizando.  A caridade é uma realidade em nossas 1025 comunidades", completou. 

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, decretou situação de emergência em todos os 78 municípios do Estado, e informou que as chuvas já fizeram cinco vítimas fatais. Segundo a Defesa Civil do Estado, mais de 20 mil pessoas precisaram deixaram suas casas. O boletim do Departamento de Estradas e Rodagem apresentou um número de 20 rodovias com pontos de alagamento, queda de barreiras ou erosão de pistas.

As doações podem ser entregues na Cúria Metropolitana, de segunda a sexta-feira, de 8h às 17h, que fica na rua Soldado Abílio dos Santos, 47, Cidade Alta, Vitória (ES). Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: (27) 3223-6711. 

RCR/Arquidiocese Vitória



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 08h39
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Nota da CNBB: "Ouvir o clamor que vem das ruas"

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cnbblogoOs bispos manifestam "solidariedade e apoio às manifestações, desde que pacíficas, que têm levado às ruas gente de todas as idades, sobretudo os jovens". A presidência da CNBB apresentou a Nota em entrevista coletiva e o documento foi aprovado na reunião do Conselho Permanente concluída na manhã desta sexta-feira, 21 de junho.

Leia a Nota:

Ouvir o clamor que vem das ruas

Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos em Brasília de 19 a 21 de junho, declaramos nossa solidariedade e apoio às manifestações, desde que pacíficas, que têm levado às ruas gente de todas as idades, sobretudo os jovens. Trata-se de um fenômeno que envolve o povo brasileiro e o desperta para uma nova consciência. Requerem atenção e discernimento a fim de que se identifiquem seus valores e limites, sempre em vista à construção da sociedade justa e fraterna que almejamos.

Nascidas de maneira livre e espontânea a partir das redes sociais, as mobilizações questionam a todos nós e atestam que não é possível mais viver num país com tanta desigualdade. Sustentam-se na justa e necessária reivindicação de políticas públicas para todos. Gritam contra a corrupção, a impunidade e a falta de transparência na gestão pública. Denunciam a violência contra a juventude. São, ao mesmo tempo, testemunho de que a solução dos problemas por que passa o povo brasileiro só será possível com participação de todos. Fazem, assim, renascer a esperança quando gritam: “O Gigante acordou!”

Numa sociedade em que as pessoas têm o seu direito negado sobre a condução da própria vida, a presença do povo nas ruas testemunha que é na prática de valores como a solidariedade e o serviço gratuito ao outro que encontramos o sentido do existir. A indiferença e o conformismo levam as pessoas, especialmente os jovens, a desistirem da vida e se constituem em obstáculo à transformação das estruturas que ferem de morte a dignidade humana. As manifestações destes dias mostram que os brasileiros não estão dormindo em “berço esplêndido”.

O direito democrático a manifestações como estas deve ser sempre garantido pelo Estado. De todos espera-se o respeito à paz e à ordem. Nada justifica a violência, a destruição do patrimônio público e privado, o desrespeito e a agressão a pessoas e instituições, o cerceamento à liberdade de ir e vir, de pensar e agir diferente, que devem ser repudiados com veemência. Quando isso ocorre, negam-se os valores inerentes às manifestações, instalando-se uma incoerência corrosiva que leva ao descrédito.

Sejam estas manifestações fortalecimento da participação popular nos destinos de nosso país e prenúncio de novos tempos para todos. Que o clamor do povo seja ouvido!

Sobre todos invocamos a proteção de Nossa Senhora Aparecida e a bênção de Deus, que é justo e santo.

Brasília, 21 de junho de 2013

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís
Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 14h41
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Vem pra rua - por padre Orivaldo Robles

Terça-feira passada, dezessete e trinta, mais ou menos. Nariz pingando como torneira que não fecha, eu ia apressado à farmácia do canto da praça. Faz tempo, me deram um cartão da melhor idade. Melhor para quem? Para os laboratórios, com certeza. São os que lucram com nossas doenças. O cartão me dá pequeno desconto. Não posso desprezar; tomo uma batelada de remédios de uso contínuo.
Enquanto caminhava, eu ouvia o alto-falante convocando as pessoas para o início da manifestação. Lamentei a coriza e o mal-estar que sentia. Mais que isso, porém, lamentei não possuir a disposição de 1992, da caminhada pelo impeachment do presidente Collor. Naquela vez, saí às ruas no meio de uma multidão composta, em sua maioria, por adolescentes conhecidos como “caras pintadas”. Pintaram a minha também. Tempo bom. Não há setentão que não recorde com gosto a vida que levava há vinte anos. Desta vez, tomei direto o rumo de casa. Nas ruas, jovens risonhos – de novo, quase todos adolescentes – portavam cartazes pintados à mão. Riam e aprontavam todo o barulho que a hora e o lugar lhes permitiam.
Mais tarde, já em casa, um forte alarido de vozes invadiu minha sala. Que seria? Tentei desligar-me. Não consegui. O barulho não dava sinal de que ia parar. Larguei a nebulização que estava fazendo e me aproximei da janela. Onze andares abaixo, ocupando calçadas e o leito da rua, movia-se uma baita aglomeração de gente. Li, dia seguinte, que dez mil pessoas a compunham. Não sei quem contou. Não disponho de meios para conferir, então tenho que acreditar. Caminhavam ao som de apitos, de assobios, de buzinas dos veículos parados, de instrumentos de percussão e de vozes, que gritavam em comando: “Vem pra rua”! Visto do alto, era um bonito espetáculo. Assim, ao vivo, eu nunca tinha assistido. Permaneci encostado à janela pelo espaço de uma boa meia hora. Até que passaram todos, e os automóveis voltaram a se pôr em movimento.
Qual o motivo da grande manifestação? Não, por certo, só os vinte centavos de aumento na tarifa do transporte urbano. Isso foi a gota d’água. O povo já vinha, desde muito, com insuportável clamor entalado na garganta. Esperava apenas o momento de pôr para fora. Começando pela maior cidade do país, por todos os cantos, explodiu a indignação que, nos anos 80, Ulysses Guimarães chamara de “a voz rouca das ruas”. Rouca podia ser a voz dele, próximo dos 70 anos de idade. A das ruas era límpida e vibrante. Escutei-a sob a minha janela. Adolescentes, jovens e adultos davam, na verdade, um recado a todos os que detêm poder: “Cansamos de ser tratados como um bando de patetas. Basta de políticos corruptos e incompetentes. Parem de esbanjar o nosso dinheiro. De sucatear a Educação, a Saúde, a Infraestrutura, a Segurança, o Transporte... Exigimos um país decente. De vergonha na cara”. Com o ímpeto da idade, uma jovem do Rio de Janeiro depositou no cartaz a sua esperança: “Desculpe o transtorno. Estamos mudando o País”.

Há quem duvide. Quem veja nisso puro fogo de palha aceso por gente que sequer usa ônibus urbano ou trem de subúrbio. Quem sabe em que vai dar? Mas uma caminhada de mil quilômetros – ensina a sabedoria chinesa – começa pelo primeiro passo. Vai saber se não estamos assistindo ao despertar de um novo Brasil? De um Brasil disposto a se erguer do berço esplêndido? Brasil que cansou de ser um gigante deitado? 


Escrito por Pe. Carlos Alberto às 10h15
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Professores de Juazeiro do Norte terão salários reduzidos em até 40%

Aliny Gama
Do UOL, em Maceió

08/06/201321h02

  • Normando Sóracles/Agência Miséria

    Professora chora diante da aprovação da redução do salário dos professores em Juazeiro do Norte, no Ceará. O corte pode chegar a até 40%

    Professora chora diante da aprovação da redução do salário dos professores em Juazeiro do Norte, no Ceará. O corte pode chegar a até 40%

Os professores da rede municipal de Juazeiro do Norte (a 548 km de Fortaleza), no Ceará, terão seus salários reduzidos em até 40%, aumento na carga horária, além de outras mudanças regidas no PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração), aprovado pela Câmara de Vereadores, apesar dos protestos na última quinta-feira (6).

A aprovação causou desespero e revolta nos professores que recebem o piso nacional de docentes estabelecido pelo MEC, no valor de R$ 1.567, além de gratificações, que totalizam o valor de R$ 2.193.

De acordo com o SSM (Sindicato dos Servidores Municipais), 2.000 professores devem ter os salários reduzidos em até R$ 650.

Devido à aprovação da reformulação do PCCR, o sindicato disse que todos os professores estão em greve por tempo indeterminado. De acordo com a presidente do sindicato, Mazé dos Santos, a greve não foi deflagrada ainda devido aos trâmites legais.

"Vamos respeitar o prazo de 72 horas para entrar em greve. O que não podemos é ficarmos calados. Vamos continuar os protestos", disse Santos em entrevista ao UOL.

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Veja quais são as 20 metas para a educação na década; PNE ainda não foi aprovado20 fotos

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Meta 17 - Valorização do professor: Equiparar o rendimento médio dos profissionais do magistério das redes públicas de educação básica ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência do PNE Leia mais Peter Leone/futura Press

Ao final da votação dos vereadores, que foi de 12 votos a favor e quatro votos contra, os professores pegaram ovos para jogar nos políticos. Durante o tumulto, a PM (Polícia Militar) e guardas municipais usaram spray de pimenta para dispersar os manifestantes.

Os vereadores a favor dos professores e que votaram contra o projeto foram Cláudio Luz (PT), Glédson Bezerra (PTB), Rita Monteiro (PT do B) e Tarso Magno (PR). Eles informaram que vão debater a possibilidade de pedir anulação da sessão extraordinária.

A sessão foi tumultuada e até os vereadores discutiram com a mesa diretora. Luz discutiu com o presidente da Câmara de Vereadores, Antônio de Lunga (PSC).

Durante a votação os professores chegaram a mostrar pacotes de dinheiro e jogar no plenário notas para que os vereadores pegassem "porque eles são comprados", diziam em coro.

A sessão esquentou depois que três professores conseguiram invadir o plenário e foram retirados pela polícia. Os manifestantes gritavam palavras para agredir os vereadores, chamando-os de "ladrões", "bandidos", "quadrilha" e "vendidos".

A prefeitura de Juazeiro do Norte disse que o corte no salário dos professores foi necessário para se enquadrar na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e reforçou que os valores pagos aos professores não fechava a folha de pagamento. O projeto foi enviado pelo prefeito Raimundo Macedo (PMDB).



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 10h13
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Considerações sobre a nota do CFM a respeito do aborto

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cnbblogoO presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e Família da CNBB, dom João Carlos Petrini, divulgou nesta sexta-feira, 22 de março, algumas considerações a respeito de uma nota publicada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que apoia o direito de aborto até a 12ª semana de gestação. A seguir, a íntegra da mensagem.

Brasília, 22 de março de 2013 
CEPVF Nº 0164/13

CONSIDERAÇÕES SOBRE A NOTA DO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA A RESPEITO DO ABORTO

Causou surpresa à sociedade brasileira a decisão tomada pelo Conselho Federal de Medicina, durante o I Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina, favorável à interrupção da gravidez até a 12ª semana, como prevê a proposta do novo Código Penal, em discussão no Senado Federal. As imediatas reações contrárias a esse posicionamento demonstram a preocupação dos que defendem a vida humana desde sua concepção até a morte natural. Merece, por isso, algumas considerações.

O drama vivido pela mulher por causa de uma gravidez indesejada ou por circunstâncias que lhe dificultam sustentar a gravidez pode levá-la ao desespero e à dolorosa decisão de abortar. No entanto, é um equívoco pensar que o aborto seja a solução.

Nossa civilização foi construída apostando não na morte, mas na vitória sobre a morte. Por isso a Igreja criou hospitais, leprosários, casas para acolher deficientes físicos e psíquicos. Recorde-se, em época recente, a figura das Bem-aventuradas Madre Teresa de Calcutá e Irmã Dulce dos pobres, bem como os milhares de pessoas que, quotidianamente, se dedicam a defender e promover a vida humana e sua dignidade.

As constituições dos principais países ocidentais apresentam uma perspectiva claramente favorável à vida. A Constituição Federal do Brasil, em seu artigo 1º, afirma que a República Federativa do Brasil tem como um de seus fundamentos a dignidade da pessoa humana. E, no seu artigo 5º, garante a inviolabilidade do direito à vida.

Ajuda a evitar o aborto a implantação de políticas públicas que criem formas de amparo às mulheres grávidas nas mais variadas situações de vulnerabilidade e de alto risco, de tal modo que cada mulher, mesmo em situações de grande fragilidade, possa dar à luz seu bebê. Esta solução é a melhor tanto para a criança, que tem sua vida preservada, quanto para a mulher, que fica realizada quando consegue ter condições para levar a gravidez até o fim, evitando o drama e o trauma do aborto.

O Conselho Federal de Medicina ao se manifestar favorável ao aborto até 12 semanas parece não ter levado em consideração todos os fatores que entram em jogo nas situações que se pretendem enfrentar. Sua decisão, que não contou com a unanimidade dos Conselhos Regionais, deixa uma mensagem inequívoca: quando alguém atrapalha, pode ser eliminado.

Para justificar sua posição, o CFM evoca a autonomia da mulher e do médico, ignorando completamente a criança em gestação. Esta não é um amontoado de células sem maior significado, mas um ser humano com uma identidade biológica bem definida; com um código genético próprio, diferente do DNA da mãe. Amparado no ventre materno, o nascituro não constitui um pedaço do corpo de sua genitora, mas é um ser humano vivo com sua individualidade. A esse respeito convergem declarações de geneticistas e biomédicos.

Todos esses fatores precisam ser considerados no complexo debate sobre o aborto, reconhecendo os direitos do nascituro, dentre os quais o direito inviolável à vida que vem em primeiro lugar.

Que os legisladores sejam capazes de considerar melhor todos os aspectos da questão em pauta e que seja possível um diálogo efetivo, com abertura para alargar o uso da razão. Deste modo, será possível legislar em favor do verdadeiro bem das mulheres e dos nascituros, e se consolidará o Estado democrático, republicano e laico, que tanto desejamos.

 

+ João Carlos Petrini
Bispo de Camaçari-BA
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família/CNBB



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 10h49
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Discurso do Papa Francisco aos representantes de outras religiões

Na íntegra

brasãoDISCURSO
Audiência com os representantes das Igrejas e das Comunidades eclesiais e de outras religiões
Sala Clementina do Palácio Apostólico
Quarta-feira, 20 de março de 2013

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs,

Antes de tudo agradeço de coração por aquilo que meu Irmão Andrea nos disse. Obrigado! Muito obrigado!

É motivo de particular alegria encontrar-me convosco hoje, Delegados das Igrejas Ortodoxas, das Igrejas Ortodoxas Orientais e das Comunidades eclesiais do Ocidente. Agradeço-vos por terem desejado participar da celebração que marcou o início do meu ministério de Bispo de Roma e Sucessor de Pedro.

Ontem pela manhã, durante a Santa Missa, através das vossas pessoas reconheci espiritualmente presentes as comunidades que vocês representam. Nesta manifestação de fé pareceu-me viver de maneira ainda mais urgente a oração pela unidade entre os que acreditam em Cristo e juntos para ver de algum modo prefigurada aquela plena realização, que depende do plano de Deus e da nossa leal colaboração.

Inicio o meu ministério apostólico durante este ano que o meu venerado predecessor, Bento XVI, com intuição verdadeiramente inspirada, proclamou para a Igreja católica Ano da Fé. Com esta iniciativa, que desejo continuar e espero que sirva de estímulo para o caminho de fé de todos, ele quis marcar o 50º aniversário do Concílio Vaticano II, propondo uma espécie de peregrinação através disso que para cada cristão representa o essencial: o relacionamento pessoal e transformante com Jesus Cristo, Filho de Deus, morto e ressuscitado para a nossa salvação. Propriamente no desejo de anunciar este tesouro perenemente válido da fé aos homens do nosso tempo, consiste o coração da mensagem conciliar.

Junto convosco não posso me esquecer de quanto aquele Concílio significou para o caminho ecumênico. Gosto de recordar as palavras que o beato João XXIII, de quem em breve lembraremos os 50 anos de sua morte, pronunciou no memorável discurso de inauguração: “A Igreja Católica considera seu dever trabalhar ativamente para que se cumpra o grande mistério daquela unidade que Cristo Jesus com ardentes orações pediu ao Pai Celeste na iminência do seu sacrifício; esse gozo de doce paz, sabendo estar intimamente unido a Cristo naquelas orações” (AAS 54 [1962], 793). Este Papa João.

Sim, queridos irmãos e irmãs em Cristo, sintamo-nos todos intimamente unidos à oração do nosso Salvador na Última Ceia, à sua invocação: ut unum sint. Peçamos ao Pai misericordioso viver em plenitude aquela fé que recebemos de presente no dia do nosso Batismo, e de poder dar testemunho livre, alegre e corajoso. Este será o nosso melhor serviço à causa da unidade entre os cristãos, um serviço de esperança para um mundo ainda marcado por divisões, por disputas e rivalidades. Mais seremos fiéis à sua vontade, nos pensamentos, nas palavras e nas obras, e mais caminharemos realmente e substancialmente para a unidade.

Da minha parte, desejo assegurar, na esteira dos meus Predecessores, a firme vontade de prosseguir no caminho do diálogo ecumênico e agradeço desde já ao Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, pela ajuda que continuará a oferecer, em meu nome, para esta nobríssima causa. Peço-vos, queridos irmãos e irmãs, para levar a minha cordial saudação e a segurança da minha lembrança no Senhor Jesus às Igrejas e Comunidades cristãs que aqui vocês representam e peço a vocês a caridade de uma especial oração pela minha pessoa, a fim de que possa ser um Pastor segundo o coração de Cristo.

E agora me dirijo a vocês, ilustres representantes do povo judeu, ao qual nos liga um vínculo espiritual muito especial, do momento que, como afirma o Concílio Vaticano II, “a Igreja de Cristo reconhece que o início da sua fé e da sua eleição se encontram já, segundo o mistério divino da salvação, nos patriarcas, em Moisés, e nos profetas” (Decr. Nostra aetate, 4). Agradeço-vos pela vossa presença e confio que, com a ajuda do Altíssimo, possamos prosseguir proveitosamente naquele fraterno diálogo que o Concílio desejava (cfr ibid.) e que efetivamente se realizou, trazendo não poucos frutos, especialmente ao longo dos últimos dez anos.

Saúdo então e agradeço cordialmente a todos vocês, queridos amigos pertencentes a outras tradições religiosas; em primeiro lugar os Muçulmanos, que adoram Deus único, vivente e misericordioso, e o invocam na oração, e a todos vocês. Aprecio muito a vossa presença: nessa vejo um sinal tangível da vontade de crescer na estima recíproca e na cooperação para o bem comum da humanidade.

A Igreja católica está consciente da importância que tem a promoção da amizade e do respeito entre homens e mulheres de diferentes tradições religiosas – isto eu quero repetir: promoção da amizade e do respeito entre homens e mulheres de diferentes tradições religiosas – o comprova o precioso trabalho que desenvolve o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso. Essa está igualmente consciente da responsabilidade que todos temos para com este nosso mundo, para com toda a criação, que devemos amar e proteger. E nós podemos fazer muito pelo bem de quem é mais pobre, de quem é indefeso e de quem sofre, para favorecer a justiça, para promover a reconciliação, para constituir a paz. Mas, sobretudo, devemos manter viva no mundo a sede do absoluto, não permitindo que prevaleça uma visão da pessoa humana a uma só dimensão, segundo a qual o homem se reduz àquilo que produz e àquilo que consome: esta é uma das armadilhas mais perigosas para o nosso tempo.

Sabemos quanta violência produziu na história recente a tentativa de eliminar Deus e o divino do horizonte da humanidade, e sentimos o valor de testemunhar na nossa sociedade a originária abertura ao transcendente que é inerente ao coração do homem.  Nisso, sentimos próximos também todos aqueles homens e mulheres que, embora não se reconhecendo pertencentes a alguma tradição religiosa, sentem-se, todavia, em busca da verdade, da bondade e da beleza, esta verdade, bondade e beleza de Deus, e que são nossos preciosos aliados no empenho pela defesa da dignidade do homem, na construção de uma convivência pacífica entre povos e no cuidado especial com a criação.

Queridos amigos, obrigado ainda pela vossa presença. A todos ofereço a minha cordial e fraterna saudação



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 09h49
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Os ritos: canto, pálio, anel, oração e promessa



Cidade do Vaticano (RV) – Antes do início da Missa de início de seu Pontificado, o Papa Francisco desceu ao túmulo de São Pedro, embaixo do altar da Confissão, na Basílica de São Pedro. Depois de se deter alguns minutos em oração, incensou o Trophaeum apostólico e se juntou à procissão de cardeais concelebrantes. 

À frente, estavam os diáconos levando o Pálio pastoral, o Anel do Pescador e o Evangelho. Quando a procissão chegou ao átrio da Basílica, ecoou o canto das 'Laudes regiae', que também faz parte da série de ritos específicos do início de um pontificado.

Já fora da Basílica, no altar da Praça São Pedro, o cardeal-protodiácono, Jean-Louis Tauran, impôs o Pálio (estola decorada com as cruzes do martírio); o cardeal protopresbítero Godfried Danneels, fez uma oração, e o cardeal decano Angelo Sodano entregou ao Pontífice o Anel do Pescador. Neste momento, seis cardeais, em nome de todo o Colégio Cardinalício, prestaram obediência ao Papa. 

Todos os cardeais, patriarcas e arcebispos maiores das Igrejas orientais católicas; o secretário do Conclave, Dom Lorenzo Baldisseri, e os padres Fr. Jose' Rodriguez Carballo e Alfonso Nicolas SJ, respectivamente presidente e vice-presidente da União dos Superiores Gerais, concelebraram com Francisco a sua primeira Missa como Papa. 
(CM)



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 11h44
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"Jesus não despreza nem condena; só perdoa, sempre". O Papa comove a multidão em seu primeiro Angelus



Cidade do Vaticano (RV) – Uma multidão de pessoas, mais de 150 mil, lotaram a Praça São Pedro e todas as ruas vizinhas, para assistir e rezar junto com o Papa a sua primeira oração do Angelus. Às 12h deste domingo (8h de Brasília), Francisco apareceu na janela de seu apartamento para rezar e abençoar os fiéis, turistas e romanos.

Desde as primeiras horas do dia, o movimento já era grande. Toda a área foi interditada ao tráfico e ao estacionamento. Francisco fez um discurso informal, falando de improviso e apenas em italiano.

Ele saudou com as mãos e um grande sorriso, recebendo em troca aplausos e muito entusiasmo. A popularidade de Francisco tem aumentado a cada dia desde que se tornou, quarta-feira passada, o primeiro Papa latino-americano da história. Chegou ao balcão com o seu modo simples, os braços ao longo do corpo e a mão direita ao alto, saudando o povo. “Bom dia!” – foram as suas primeiras palavras.

Lembrando o episódio da mulher adúltera que Jesus salva da condenação, Francisco ressaltou o valor e a importância da misericórdia e do perdão nos dias de hoje: “Deus jamais se cansa de nos perdoar. Nós é que nos cansamos de pedir perdão. Temos de aprender a ser misericordiosos com todos”, afirmou.

Antes disso, Francisco disse que estava contente de estar com os fiéis domingo, “dia do Senhor, dia de se cumprimentar, de se encontrar e conversar, como aqui, agora, nesta Praça, uma praça que graças à mídia, é o tamanho do mundo!”. 

A propósito da leitura evangélica, Francisco encorajou os fiéis citou a atitude de Jesus, que não desprezou nem condenou a adúltera, mas disse apenas palavras de amor e misericórdia, que convidavam à conversão. 

“Vocês já pensaram na paciência que Deus tem com cada um de nós? É a sua misericórdia: Ele nos compreende, nos recebe, não se cansa de nos perdoar se soubermos voltar a Ele com o coração arrependido. É grande a misericórdia do Senhor!”. 

Dando andamento ao discurso, o Papa citou um livro lido nestes dias sobre a misericórdia, de autoria do Cardeal Walter Kasper, “um ótimo teólogo”. “O livro faz entender que a palavra ‘misericórdia’ muda tudo; torna o mundo menos frio e mais justo” – disse, ressalvando que com isso “não quer fazer publicidade ao livro do cardeal”. Depois, completou lembrando o Profeta Isaias, que afirma que “ser nossos pecados forem vermelhos escarlate, o amor de Deus os tornará brancos como a neve”. 

Sem ler um texto preparado, Francisco contou à multidão um fato de quando era bispo, em 1992, e uma senhora de mais de 80 anos, muito simples (uma ‘vovó’, ele disse, ndr) quis se confessar com ele. Diante de sua surpresa, a idosa lhe disse “Nós todos temos pecados! Se Deus não perdoasse tudo, o mundo não existiria...!”. De seu balcão, Francisco brincou com os fiéis arriscando que a senhora “havia estudado na Universidade Gregoriana de Roma”.

Telões foram montados em toda a área para transmitir as imagens do Papa, enquanto helicópteros sobrevoavam o centro de Roma, enquanto o Papa continuava seu discurso:

“É, o problema é que nós nos cansamos de pedir perdão a Deus. Invoquemos a intercessão de Nossa Senhora, que teve em seus braços a misericórdia de Deus em pessoa, no menino Jesus”. 

O bispo de Roma, que é argentino, lembrou ainda que as origens da sua família são italianas, sublinhando, no entanto, que “nós fazemos parte de uma família maior, a família da Igreja, que caminha unida no Evangelho”.

Despedindo-se dos fiéis, Francisco disse palavras ainda mais simples: “Bom domingo e bom almoço!”. 



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 09h52
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Francisco, uma manhã de pároco



Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco chegou à Paróquia de Santa Ana, dentro da Cidade do Vaticano, pouco antes das 9h locais (5h de Brasília), para celebrar a missa deste domingo. Antes de entrar na pequena igreja, o Pontífice parou para cumprimentar a multidão que o aguardava do lado de fora. Apertou mãos, fez carinho nas crianças e trocou palavras com muitas pessoas.

Chegando perto da Porta Angélica, confim com a cidade de Roma, o Papa reconheceu dois sacerdotes argentinos que estavam em meio aos fiéis e os chamou para a missa. Francisco foi recebido pelo vigário para a Cidade do Vaticano, Cardeal Angelo Comastri. 

Sua homilia foi breve e tratou do episódio evangélico do perdão concedido por Jesus à mulher adúltera, por ele salva da lapidação com as palavras “Quem não tem pecado atire a primeira pedra”. 

“Digo humildemente – começou – para mim, a mensagem mais forte do Senhor é a misericórdia. Acredito que às vezes, nós somos como este povo, que por um lado, quer ouvir Jesus, mas por outro, gosta de criticar ou condenar os outros”.

O Papa disse que não é fácil entregar-se à misericórdia de Deus, porque é um abismo incompreensível; mas devemos fazê-lo! E garantiu que Jesus perdoa os pecados, tem a capacidade “de esquecer”, gosta se lhe contamos nossas coisas; beija, abraça e diz “Não te condeno; vai e não peque mais”. 

“Este é o único conselho que dá. E mesmo se voltarmos depois de um mês e lhe contarmos novos pecados, o Senhor não se cansará de perdoar: jamais. Somos nós que nos cansamos de Lhe pedir perdão. Pedimos a graça de não nos cansarmos de pedir perdão” – encerrou. 

Antes de terminar a missa, o Papa Francisco interrompeu por alguns momentos a celebração para homenagear um jovem missionário. 

Foi ao microfone e disse que dentre os fiéis, alguns não eram membros da paróquia, mas que “hoje são como paroquianos”:

“Quero lhes apresentar um padre que trabalha com meninos de rua, com os abandonados. Fez muito por eles, como uma escola que restitui dignidade aos meninos e meninas da rua, que agora, amam Jesus. E pediu a Gonsalvo que fosse ao altar para cumprimentar todos. O padre trabalha no Uruguai, onde fundou a escola João Paulo II. 

Ao encerrar a missa, o Papa saiu e apertou as mãos de todos, um por um, abraçando a falando com mais intimidade com alguns. 
(CM)



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 09h47
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Pe. Lombardi: As últimas Congregações Gerais e os preparativos para o Conclave



Cidade do Vaticano (RV) – O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, realizou no início da tarde deste sábado, uma coletiva de imprensa após o encerramento da 9ª Congregação Geral do Colégio Cardinalício.

Pe. Lombardi iniciou a coletiva retomando a VIII Congregação realizada ontem, sexta-feira entre 17 e 19 horas, quando foi decidida a data de início do Conclave. Ele informou que chegaram dois novos cardeais não-eleitores, Dom Obando Bravo e Rosales, que realizaram o juramento. Mesmo não sendo eleitores, os Cardeais vem a Roma para conhecer e saudar o novo Pontífice.

Logo ao início da Congregação de ontem à tarde, quando estiveram presentes 145 Cardeais, o Decano deu início à votação sobre a data do início do Conclave, pois na parte da manhã ainda não estava claro em que momento da Congregação da tarde esta seria votada. Os próprios Cardeais tinham o desejo de definir logo a data, que foi decidida por absoluta maioria para a próxima terça-feira, 12 de março. O Camerlengo e o Decano haviam se informado anteriormente sobre os trabalhos que estão sendo realizados na Capela Sistina e na Casa Santa Marta, onde ficarão hospedados os Cardeais. Pe. Federico reiterou que a proposta do dia 12 foi a primeira realizada e apoiada pela maioria absoluta dos cardeais e que não houve nenhuma discussão ou divisão a respeito.

O Diretor da Sala de Imprensa reiterou que não havia mais motivo para postergar a escolha da data, afora a necessidade de aprofundar algum tema, pois os Cardeais eleitores praticamente já estavam todos em Roma desde a noite de quinta-feira. Este tempo de espera, disse Pe. Lombardi, foi o suficiente para amadurecer também a data de início do Conclave. Assim que ele recebeu a confirmação da data, prontamente enviou uma mensagem a dois colaboradores, para que a notícia fosse imediatamente divulgada aos meios de comunicação.

Nesta VIII Congregação realizada na tarde desta sexta-feira, ocorreram 15 intervenções, seguindo a lista de perguntas por parte dos Cardeais.
Na manhã deste sábado foi realizada a 9ª Congregação Geral. O primeiro tema do dia tratou da transferência dos Cardeais para a Casa Santa Marta. A maioria dos Cardeais decidiu que esta será na terça-feira, a partir das 7 horas da manhã e às 10 horas, todos os Cardeais, eleitores e não-eleitores, participarão da Missa ‘pro eligendo Pontifice’ na Basílica de São Pedro, que será presidida pelo Cardeal Decano. Na segunda parte da reunião foi realizado o sorteio dos quartos, algo simples, para definir em qual quarto cada Cardeal deverá ficar.

Pe. Lombardi informou que na segunda-feira, às 17h30min, na Capela Paulina, será realizado o juramento de todas as pessoas que trabalham como auxiliares no Conclave, ou seja, todos aqueles que colaboram, ajudam e que entram no recinto do Conclave durante os dias de fechamento. O Centro Televisivo Vaticano (CTV) transmitirá as imagens deste momento.
Na segunda-feira pela manhã será realizada nova Congregação Geral, pois diversos Cardeais estão inscritos para falar.

No final da Congregação desta manhã foram anunciados os horários do Conclave. No primeiro dia, terça-feira, os Cardeais se transferem da Domus Sanctae Marthae ao Palácio Apostólico às 15h45min. Às 16h30min terá lugar a procissão da Capela Paulina com entrada na Capela Sistina. 

Quando entrarem na Capela Sistina, às 16h45min, os Cardeais fazem o juramento e após tem lugar o ‘extra omnes’, quando se fecha a Capela Sistina e os Cardeais seguem a meditação do Cardeal Grech, realizando a eventual primeira votação prevista na Constituição. Às 19h30min recitam as Vésperas na Capela Sistina, na conclusão dos trabalhos do dia e às 19h30min retornam àDomus Sanctae Mathae, para jantar às 20 horas.

Nos dias seguintes está programado o café da manhã entre as 6h30min e às 7h30min; às 7h45min os Cardeais se transferem ao Palácio Apostólico e das 8h15min às 9h15min concelebram a Santa Missa na Capela Paulina, o que deverá ocorrer diariamente. As 9h30min entram na Capela Sistina, recitam a Hora Média e fazem as votações da manhã. Às 12h30min retornam à Casa Santa Marta, para almoçar às 13 horas. Às 16 horas se transferem novamente para a Capela Sistina, onde estão previstos os escrutínios da tarde para as 16h50min. A Oração das Vésperas às 19h15min conclue o dia de votações. Às 19h30min se transferem à Casa Santa Marta, para jantar às 20 horas. Estes são horários indicativos dos dias do Conclave.

Respondendo à curiosidade sobre os horários da fumaça, Pe. Lombardi informou que as cédulas são queimadas ao final das votações da manhã e da tarde e não após cada votação particular. Assim, os horários normais do final das votações seria às 12 horas para as votações da manhã e às 19 horas para as votações da tarde. É apenas uma indicação, precisou o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé. No entanto, se o novo Pontífice vier a ser eleito na primeira votação da manhã ou da tarde, a fumaça branca sairá da chaminé instalada no telhado da Capela Sistina no meio da manhã ou no meio da tarde. Assim, todos devem estar atentos entre 10h30min e 11hs na parte da manhã e entre 17hs30min e 18hs na parte da tarde. A eleição do Papa Ratzinger ocorreu na primeira votação da tarde e assim, a fumaça apareceu após as 17 horas.

Pe. Lombardi interrompeu por alguns minutos o tema sobre o andamento do Conclave, para falar sobre as visitas da imprensa à Capela Sistina. Ele informou que ao meio-dia deste sábado, horário de Roma, foram iniciadas as visitas na Capela Sistina. Até o momento em que ocorria a Coletiva de Imprensa, cerca de 400 jornalistas já haviam visitado o local. As visitas devem continuar até às 17 horas.

Retomando o tema das Congregações, o jesuíta disse que amanhã, domingo, não serão realizadas Congregações Gerais, deixando o dia livre para os Cardeais celebrarem a Missa onde desejarem. Muitos Cardeais devem celebrar nas paróquias de Roma onde são titulares. Desta forma, amanhã, domingo, é um dia dedicado à oração e à participação da comunidade cristã em preparação ao Conclave.

Sobre a 8ª e a 9ª Congregação Geral, realizadas ontem à tarde e na manhã desta sexta-feira, Pe. Lombardi explicou que falaram 15 e 17 cardeais, respectivamente. Eles eram provenientes de diferentes países e trataram de vários temas. Até o momento foram 133 intervenções realizadas por mais de 100 Cardeais. Na manhã deste sábado foram diversas intervenções que trataram temas como as expectativas em relação ao novo Papa, as atividades da Santa Sé, dos Dicastérios e o trabalho da Cúria e seu melhoria. Também informações sobre grandes áreas da Igreja e sobre a situação da Igreja em diversas áreas do mundo. Estes temas foram abordados em cerca de 30 intervenções entre sexta-feira e hoje.

Interpelado diversas vezes sobre o Anel e os lacres nos Aposentos Papais, Pe. Lombardi informou que na manhã deste sábado foi testemunha ocular das operações realizadas para anular três insígnias Papais. O Anel do Pescador, que existe em duas formas – um para ser usado no dedo anular do Pontífice e o outro que é uma reprodução deste anel e é usado como selo, como um carimbo – foram os dois anulados. Também os ‘carimbos à seco’, usados para timbrar documentos, foram anulados. Também uma matriz em chumbo usada para aplicar os carimbos e os selos Papais sobre as Bulas foram riscados para não serem mais utilizadas. Assim, foram cinco objetos anulados: dois Anéis do Pescador, dois ‘carimbos à seco’ e a matriz do selo de chumbo. O novo Anel do Pescador será idêntico ao precedente, mudando apenas o nome do Papa que é escrito ao redor da imagem do pescador, com a barca e a rede.

Foi constituída uma Comissão que deve providenciar o lacre, na segunda e terça-feira, das entradas da Capela Sistina. Esta comissão, que depende do Camerlengo, tem como membros, entre outros, o comandante da Guarda Suíça e um representante da Gendarmeria. Eles serão os responsáveis em lacrar e verificar que todos os acessos à área do Conclave estejam protegidos.

Por fim, Pe. Lombardi explicou o n. 74 da Constituição Apostólica que trata do número de escrutínios sem a eleição de um Papa. Ou seja, se após 3 dias de votações não se chegar a um consenso, se deve fazer uma parada e após realizar mais 7 escrutínios. Não se chegando a um consenso, se para novamente e se realiza mais sete escrutínios e, posteriormente, nova parada e mais sete escrutínios e por fim, a escolha entre os dois mais votados. (JE)



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 13h26
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CONCLAVE


Quais são os critérios para se eleger o novo papa?
Cardeais e fiéis se perguntam quem pode ser o próximo pontífice

Por Antonio Gaspari

ROMA, 08 de Março de 2013 (Zenit.org) - Quais são os critérios para se eleger o melhor candidato ao papado? E quais são os problemas mais prementes que ele terá de enfrentar?

O cardeal Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon, acredita que o novo papa tem de ser "um homem sólido, de fé e que ame a Cristo".

Os leitores entrevistados por ZENIT, na sua maioria, pedem um papa "jovem, alegre e de grande carisma espiritual".

Mas quais são os critérios para a escolha de um candidato ao pontificado?

Procuramos compilar as qualidades pessoais adequadas aos desafios que a Igreja terá que enfrentar agora.

Sendo a Igreja uma instituição milenar e universal, é claro que uma das primeiras qualidades de um candidato a papa é o conhecimento de línguas. O italiano, por ser bispo de Roma; o inglês e o espanhol, por estarem entre as línguas mais difundidas do mundo cristão; a língua do seu país de origem e alguma outra serão certamente muito úteis.

O candidato ao pontificado deve ter e manifestar profunda fé e zelo apostólico, e praticar a oração e os sacramentos de maneira incessante.

Não deve haver nenhuma sombra na sua história como sacerdote e como homem.

Seja ele homem da cúria ou pastor procedente da diocese, deve ser humilde, sensível, caridoso, brilhante e conciso na comunicação, além de testemunha exemplar das virtudes humanas e cristãs. Sólido na doutrina e seguro e aberto na relação com a modernidade.

Muito importante é que haja no seu currículo uma evidente eficácia na difusão do Evangelho. Quantas vocações, batismos, conversões ele produziu? Difundir a fé é um dom de Deus, mas o número e a abundância de certas manifestações são um sinal da benevolência do Senhor, mais ou menos como os milagres são um requisito para se proclamarem os santos.

Deve ser dócil e colaborativo com o Sacro Colégio, livre e disponível para servir ao Senhor e conduzir a Igreja.

Deve ter a serenidade e o espírito de fraterna colaboração na gestão da cúria.

Não são suficientes, porém, as qualidades pessoais de excelência. É muito importante considerar as condições históricas e ver que certas qualidades podem ser necessárias para resolver os problemas mais urgentes do momento.

A eleição de João Paulo II aconteceu num momento de expansão máxima da ideologia e do poder comunista no mundo. A de Bento XVI ocorreu num momento em que era necessária uma refundação interna da Igreja e do episcopado mundial.

Os atuais problemas urgentes da Igreja católica envolvem a renovação da fé e a necessidade de uma nova evangelização. Não por acaso, o papa emérito Bento XVI proclamou o Ano da Fé e da Nova Evangelização.

Para reavivar a fé do continente europeu, que durante 2.000 anos espalhou o cristianismo pelo mundo, são necessários milhões de jovens que vivam, pratiquem e testemunhem com alegria e entusiasmo a fé católica.

Como nos primeiros séculos, os cristãos devem surpreender e conquistar o mundo com o fogo do amor que deriva do profundo conhecimento e paixão por Cristo.
 
É claro que existem muitos outros problemas que exigem soluções sólidas: a defesa dos cristãos perseguidos em muitas partes do mundo; o diálogo com o islã e com as grandes religiões orientais, para limitar o fundamentalismo intolerante e violento; a consolidação do diálogo ecumênico com as outras denominações cristãs, para promover uma nova unidade; o respeito pela liberdade religiosa e pelos direitos humanos; a proposta de uma economia solidária, que supere o utilitarismo especulativo e egoísta através da prática da fraternidade; o ensino e a adoção dos princípios não negociáveis que servem de base a toda civilização; a definição de uma forma de diálogo pacífico com a China, para serem reconhecidos os bispos nomeados pelo Romano Pontífice...

Mas nenhum desses problemas pode ser abordado e resolvido de forma adequada sem a fé apaixonada e sem a boa marcha da nova evangelização.

O Espírito Santo saberá escolher o melhor candidato e o mais adequado aos tempos em que vivemos, depois de tudo o que já aconteceu na história do pontificado.



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 11h22
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Quem governa a Igreja no período da Vacância da Sé apostólica



Cidade do Vaticano (RV) – O Colégio Cardinalício governa a Igreja no período da Vacância da Sé apostólica. Suas competências e limites, segundo a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis são:
2. Durante o tempo em que estiver vacante a Sé Apostólica, o governo da Igreja está confiado ao Colégio dos Cardeais, mas somente para o despacho dos assuntos ordinários ou inadiáveis (cf. nº 6), e para a preparação daquilo que é necessário para a eleição do novo Pontífice. Este encargo deverá ser desempenhado nos termos e limites previstos por esta Constituição: deverão, por isso, ficar absolutamente excluídos os assuntos, que - quer por lei, quer por costume - ou são apenas do poder do próprio Romano Pontífice, ou dizem respeito às normas para a eleição do novo Pontífice, segundo as disposições da presente Constituição.
3. Além disso, estabeleço que o Colégio Cardinalício não possa de modo algum dispor acerca dos direitos da Sé Apostólica e da Igreja Romana, e menos ainda deixar que se perca, direta ou indiretamente, qualquer coisa deles, mesmo que seja para compor dissídios ou perseguir ações perpetradas contra os mesmos direitos após a morte ou renúncia válida do Pontífice [12]. Seja preocupação de todos os Cardeais tutelar estes direitos.
4. Durante a vacância da Sé Apostólica, as leis emanadas pelos Sumos Pontífices não podem de modo algum ser corrigidas ou modificadas, nem se lhes pode acrescentar ou subtrair qualquer coisa, nem dispensar, mesmo que seja só de uma parte delas, sobretudo no que diz respeito ao ordenamento da eleição do Sumo Pontífice. Antes, se eventualmente acontecesse de ser feita ou tentada alguma coisa contra esta prescrição, com a minha suprema autoridade declaro-a nula e inválida.
5. Se porventura surgissem dúvidas acerca das prescrições contidas nesta Constituição ou sobre o modo de as pôr em prática, disponho formalmente que todo o poder de emitir um juízo a tal respeito compete ao Colégio dos Cardeais, ao qual, portanto, atribuo a faculdade de interpretar os seus pontos duvidosos ou controversos, estabelecendo que, quando for necessário deliberar sobre estas e outras questões semelhantes, exceto sobre o ato da eleição, é suficiente a maioria dos Cardeais congregados chegar a acordo sobre a mesma opinião.
6. De igual modo, quando existir um problema que, segundo a maior parte dos Cardeais reunidos, não pode ser diferido para outra altura, o Colégio dos Cardeais disponha segundo o parecer da maioria.
23. Durante a Sé vacante, todo o poder civil do Sumo Pontífice, concernente ao governo da Cidade do Vaticano, compete aoColégio dos Cardeais, o qual, todavia, não pode emanar decretos, a não ser no caso de urgente necessidade e apenas pelo tempo que durar a vacância da Santa Sé. Tais decretos só serão válidos para o futuro, se o novo Pontífice os confirmar.
(...)
7. No período de Sé vacante, haverá duas espécies de Congregações dos Cardeais: uma geral, isto é, de todo o Colégio, até ao início da eleição, e a outra particular. Nas Congregações gerais, devem participar todos os Cardeais não legitimamente impedidos, logo que tenham sido informados da vacância da Sé Apostólica. Contudo, aos Cardeais que, nos termos do nº 33 desta Constituição, não gozam do direito de eleger o Pontífice, é concedida a faculdade de se absterem, se assim o preferirem, de participar nessas Congregações gerais.
A Congregação particular é constituída pelo Cardeal Camerlengo da Santa Igreja Romana e por três Cardeais, um de cada uma das ordens, extraídos à sorte dentre os Cardeais eleitores que já tenham chegado a Roma. O ofício destes três Cardeais, chamados Assistentes, cessa ao completar-se o terceiro dia, sucedendo-lhes no lugar, sempre por meio de sorteio, outros três pelo mesmo espaço de tempo, mesmo depois de iniciada a eleição.
Durante o período da eleição, as questões mais importantes, se for necessário, são tratadas pela assembleia dos Cardeais eleitores, ao passo que os assuntos ordinários continuam a ser tratados pela Congregação particular dos Cardeais. Nas Congregações gerais e particulares, durante o período de Sé vacante, os Cardeais trajem a habitual batina preta filetada e a faixa vermelha, com o solidéu, cruz peitoral e anel.
8. Nas Congregações particulares, devem ser tratadas apenas as questões de menor importância, que se apresentem diária ou ocasionalmente. Se surgirem questões mais graves e merecedoras de um exame mais profundo, devem ser sujeitas à Congregação geral. Além disso, o que tiver sido decidido, resolvido ou negado numa Congregação particular, não pode ser revogado, mudado, ou concedido por uma outra; o direito de o fazer pertence somente à Congregação geral, e com a maioria dos votos.
9. As Congregações gerais dos Cardeais realizar-se-ão no Palácio Apostólico do Vaticano ou, se o exigirem as circunstâncias, noutro lugar julgado mais oportuno pelos próprios Cardeais. A elas preside o Decano do Colégio ou, caso ele esteja ausente ou legitimamente impedido, o Vice-Decano. Na hipótese de um dos dois ou mesmo ambos já não gozarem, nos termos do nº 33 desta Constituição, do direito de eleger o Pontífice, à assembleia dos Cardeais eleitores presidirá o Cardeal eleitor mais antigo, segundo a ordem habitual de precedência.
10. O voto nas Congregações dos Cardeais, quando se trata de assuntos de maior importância, não deve ser dado de viva voz, mas de forma secreta.
***

Notas históricas sobre o Colégio cardinalício
Pelo menos a partir do século VI passou a ser chamado cardeal o presbítero ou o diácono que, pela sua capacidade, era transferido da Igreja, em serviço pela qual havia sido ordinado e da qual tinha o título, em outra igreja, da qual dependia (daí provavelmente ‘cardeal”, da palavra latina cardo). A partir do século VIII o título foi reservado aos clérigos incardinados na igreja catedral e que constituíam o conselho ou senado dos bispos. Em Roma, as categorias dos cardeais eram três: 1) os Cardeais Diáconos, que tinham a administração do palácio de Latrão, dos sete departamentos de Roma e o cuidado dos pobres que se encontravam neles; 2) os Cardeais Presbíteros, prepostos em modo mais estável às cinco maiores igrejas de Roma (São Pedro, São Paulo, São Lorenço fora dos Muros, Santa Maria Maior, São João de Latrão), onde desempenhavam seu serviço litúrgico; 3) os Cardeais Bispos, que eram prepostos às sete dioceses suburbicarias de Roma e assistiam o Papa nas cerimônias litúrgicas na Basílica de São João de Latrão. Todas as três categorias de cardeais eram o conselho ou o senado do romano pontífice e eram enviados por estes como legados, que o representavam também nos concílios ecumênicos. Como ajuda do Papa no governo não somente das dioceses de Roma, mas também da Igreja universal, já desde o Séc. XI os cardeais começaram a ser escolhidos também de várias partes do mundo e a agir como Colégio.
Individualmente os Cardeais são os principais colaboradores do Papa, quer como responsáveis pelos Dicastérios da Cúria Romana e no Governo do Estado da Cidade do Vaticano quer como titulares das mais importantes sedes episcopais no mundo.Colegialmente desempenham o papel de órgão consultivo sobre questões de maior importância no governo da Igreja através dos Consistórios convocados pelo Papa e de órgão suplente no Governo da Igreja e do Estado da Cidade do Vaticano durante a Sé Vacante. Mas a função mais importante e delicada para um cardeal é a eleição do Pontífice no Conclave. Como, de fato, afirma a Constituição apostólica Universi Dominici Gregis: "Gravíssimo é, pois, o encargo que pesa sobre o Organismo deputado para tal eleição". (RL – JE)



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 10h44
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Bento XVI renuncia ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro
A Sede de São Pedro ficará vacante a partir de 28 de Fevereiro. Será convocado o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

CIDADE DO VATICANO, 11 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Apresentamos as palavras com que Bento XVI anunciou a sua renuncia:

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.


Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013. 

BENEDICTUS PP. XVI



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 13h52
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Há 50 anos, o Concílio

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Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

No próximo dia 11 de outubro, em Roma, será comemorado o 50º aniversário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano 2º. Na ocasião, o papa Bento 16 também dará início ao Ano da Fé, que se estenderá até à festa de Cristo Rei, 24 de novembro de 2013. Será um evento memorável, que fará a memória do mais importante momento da vida da Igreja no século 20.

Embora permanecendo a mesma na sua identidade, natureza e missão, a Igreja mudou muito a partir do Concílio. Mudou para ser mais ela própria. Lembro de uma comparação usada no passado, com certa frequência, para explicar a necessidade das “reformas” conciliares: é como uma bela imagem que as pessoas gostam muito e, por isso mesmo, vão queimando vela em sua homenagem, penduram fitas, colocam coroas e outros enfeites e até vestem a imagem com pano. Tudo, porque gostam e querem expressar o carinho para com aquela imagem querida...

Chega um momento em que já não se consegue mais ver bem a imagem, de tanto enfeite e fuligem de vela... Aos poucos, só se vê o adorno e quem não conhecia a imagem original, perde o apreço por ela, pois não compreende o sentido de tanto adorno... É preciso, então, fazer um restauro, retirando os “acréscimos” que escondiam a imagem, para restituir-lhe a beleza e o sentido originários... Comparação é comparação.  “Omnis comparatio claudicat” (toda comparação tem defeitos), já diziam os latinos. Fiquemos com o aspecto verdadeiro, para aplicar essa comparação à Igreja.

A reforma, ou renovação conciliar, teve a intenção de ajudar a Igreja a voltar-se para o mais essencial; antes de tudo, para perceber de onde ela própria vem e que a sua razão de ser e existir não vem dela, mas do amor de Deus Trindade, da Palavra reveladora do desígnio de salvação de Deus para com o homem (Constituição Dogmática Dei Verbum), A Igreja queria compreender-se melhor como povo agraciado por Deus, chamado e enviado a proclamar ao mundo a Boa Nova, testemunha do Reino de Deus entre os homens; era necessário clarear novamente a parte de cada membro na vida e na missão da Igreja (Constituição Dogmática Lumen Gentium).

Para melhor realizar isso, foi feita a renovação da Liturgia, da disciplina e organização da Igreja, da formação, vida e missão dos bispos, presbíteros, religiosos e leigos, para que cada um destes grupos componentes da Igreja pudesse viver melhor sua vocação e missão no seio da Igreja e no coração do mundo. Era necessário reafirmar mais uma vez, e de maneira clara, que a Igreja é missionária e não pode deixar de cumprir o mandato de Cristo, de ir e proclamar o Evangelho a todos os povos. Vários decretos e outros documentos do Concílio deram indicações para a revitalização da Igreja, que se fazia muito necessária.

Mas também era necessário que a Igreja se colocasse no compasso do tempo e da história, propondo-se como anunciadora, servidora e testemunha de Boas Novas para o homem contemporâneo, dialogando com o mundo, sem deixar-se absorver por ele; a Igreja tem muito mais para dizer ao homem do que aquilo que ele não deve fazer: ela tem uma luz forte a irradiar sobre a dignidade da pessoa humana e a reta ordem do viver e conviver entre todos os membros da comunidade humana, que ela não pode reter para si e deve partilhar, para a vida plena do homem (Constituição Pastoral Gaudium et Spes).

Por isso mesmo, no Concílio Ecumênico Vaticano 2º, a Igreja abriu-se para ouvir e dialogar com os cristãos de outras Igrejas e grupos, com os crentes de religiões não-cristãs e também com os não crentes. Não é porque ela estivesse pouco convicta da própria verdade, mas porque apenas na atitude do diálogo se consegue compreender as razões do outro e empreender um caminho que tenha algo em comum. Desde o Concílio, muitos passos foram dados nesse caminho, nem sempre fácil.Seria muito pouco, se olhássemos o Concílio Vaticano 2º apenas como um acontecimento do passado. O cinquentenário de sua realização também é ocasião para avaliar os frutos já produzidos; e também para perceber as inevitáveis falhas na aplicação do Concílio, ao longo desses anos todos. E isso tudo nos ajudará a perceber melhor a graça do Concílio e quanto ele ainda tem para ajudar a Igreja nos próximos anos. O Concílio foi concluído em 1965; mas a obra do Concílio está longe de estar concluída!

(fonte site cnbb, 13/09/2012)



Escrito por Pe. Carlos Alberto às 14h15
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